KIBERA É A MAIOR FAVELA DA ÁFRICA E FICA EM NAIROBI NO QUÊNIA

Em Nairobi, a capital do Quênia, cerca de 70% da população vive em favelas. Kibera é uma favela com mais de 800 mil moradores. Ela é a maior e a mais pobre favela da África. Considerando que o desemprego já é 70% da população, Kibera e o numero de favelas tem aumentado bastante nos últimos anos. Quando você chega perto de Kibera o mau cheiro do lixo espalhado por toda parte e os mais de 800 mil habitantes morando ali são a saudação de boas vindas. São seiscentos acres de muita sujeira, com uma água marrom que escorre pelo meio da favela.

Em Kibera moram funcionários dos correios, órgãos públicos e de grandes companhias como a Coca Cola. Estes trabalhadores ganham cerca de 180 reais por mês, agora você pode ter uma idéia de quanto ganha a maioria dos trabalhadores que trabalham em empresas menores, mas que são privilegiados por ter um emprego. Com esta renda eles têm que cuidar da família que geralmente têm muitas crianças e morar na favela.

No Quênia não existe ensino gratuito fornecido pelo governo. Algumas igrejas dão o ensino gratuito. O que os trabalhadores ganham é mais para pagar o aluguel de um barraco de madeira na favela, com um chão de terra, um telhado de lata - mas nada de energia ou água corrente.

Você não achará Kibera em um mapa turístico ou em qualquer outro mapa. É um assentamento ilegal, é uma cidade esquecida. Quando você entra na favela você tem a impressão de estar em um labirinto escurecido. Um amigo nosso disse: "este lugar está como uma ilha - realmente não faz parte de Quênia e de lugar algum. O estado não faz nada aqui. Não provê água, nenhuma escola, nenhum serviço de saúde pública, nenhuma estrada e nenhum hospital".
A água de Kibera é transportada por negociantes privados que põem o seu próprio preço. Com isto o preço é o dobro do que é pago pelas pessoas que moram fora da favela.

O nível de violência é altíssimo. Todas as sextas feiras quando alguns moradores recebem o salário,. as coisas enlouquecem por lá. Primeiro porque muitos se embebedam e os assaltantes têm um dia de muito trabalho. Normalmente, a polícia de Nairobi não consegue entrar na favela.

Uma das coisas que agravam a situação de Kibera é que os moradores à noite que é muito perigoso sair do barraco, eles não usam o banheiro, eles utilizam sacolas plásticas que são chamadas de "flying toilets".(banheiros voadores). À noite algumas pessoas fazem suas necessidades nestas sacolas, e as arremessam da porta do barraco. Resultado, existem sacos de plásticos por todo lado da favela.

História de Kibera

As raízes da violência em Kibera. Na realidade, se você quiser achar alguém para culpar - você poderia colocar a culpa nos britânicos. Nos anos vinte o governo colonial britânico decidiu deixar um grupo de soldados da Nubian ocupar uma ladeira arborizada fora de Nairobi. O Nubians são um grupo étnico vizinho do Sudão. Este grupo tinha lutado no lado dos aliados na Primeira Guerra Mundial, como parte dos Rifles Africanos do Rei.

Eles tinham feito um bom trabalho, e o governo britânico estava com a idéia de manter este grupo depois da guerra. Entretanto as autoridades coloniais mudaram os planos e permitiram que eles os Nubians poderiam entregar as armas e continuar morando ali.

Por alguma razão, os britânicos nunca deram para os Nubians os títulos de propriedade da terra. Os soldados construíram suas casas e montaram seus negócios, mas eles não tinham direitos legais. Eles chamaram o lugar de "Kibra", significa selva.

Durante o decorrer dos anos, outras tribos passaram a ocupar a área. Alguns conseguiram comprar seus barracos e a maioria se tornaram inquilinos. Alugando os barracos deles. A área lá explodiu de três mil para quase um milhão de pessoas. O país se tornou independente a mais de 40 anos e o Governo Queniano não fez nada precisamente para resolver o problema de Kibera. Nenhuma ação de propriedade, nenhum esgoto, transporte, nenhuma estrada... Nenhum serviço de qualquer natureza. É claro que, eles têm a desculpa perfeita - afinal de contas, a favela ainda é ilegal.

Fonte: http://www.miaf.org.br

Fonte: Mega Times e Klima Naturali
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