HISTÓRIA DA ARQUITETURA RUSSA

A história da arquitetura russa pode ser dividida em quatro períodos: o bizantino, entre os séculos X e XVI, o nacional ou moscovita do século XVI ao XVIII, o petersburguês ou europeu, entre o século XVIII e o início do século XX, e o soviético, entre 1918 e 1990.

Foi em Novgorod que se desenvolveram as características fundamentais da arquitetura russa, com um conjunto de monumentos que tem como exemplo mais notável a catedral de Santa Sofia (1045-1052), com duas naves, três absides e cinco cúpulas.

Período bizantino
Com a cristianização da Rússia, em 988, as concepções artísticas bizantinas tornaram-se dominantes nos principados de Kiev, Novgorod e Suzdal. O esplendor típico da arquitetura bizantina passou a constituir o traço característico das novas igrejas ortodoxas, que adotaram o esquema grego com a cruz inscrita num retângulo e a cúpula sustentada por pilares. Entre os templos de Kiev construídos dentro da tradição bizantina destacam-se a igreja Desiatinaia (989-990), a catedral de Santa Sofia (1037) e a igreja da Assunção, no mosteiro das Cavernas (1073-1078).

Todas essas igrejas foram construídas com base na tradição bizantina, embora com claras influências da Bulgária, Geórgia e Armênia. A catedral de Santa Sofia, principal templo da Rússia, é o único prédio desse período ainda existente e que mantém, pelo menos em seu interior, parte da forma original. A parte central do templo foi construída em forma de cruz grega e a nave central e as quatro laterais terminavam em absides circulares. A catedral tinha 13 cúpulas, que simbolizavam Cristo e os 12 apóstolos.

Em Novgorod, como em Kiev, a história da arquitetura eclesiástica teve início com a construção da catedral de Santa Sofia, entre os anos de 1045 e 1052, que substituiu um templo do mesmo nome, com 13 vadas do mundo. Compõe-se de três grupos étnicos bem diferenciados: os hutus, de etnia banto, que constituem 85% da população e são tradicionalmente agricultores; os tutsis, pastores de etnia nilótica, foram por muito tempo a classe dominante, apesar de somarem apenas 14% da população total; e a pequena minoria twa, de caçadores, pescadores e ceramistas de etnia pigméia e que constitui 1% da população.

Período petersburguês
A fundação de São Petersburgo assinalou o início de uma nova era na arquitetura russa. A contratação, por Pedro o Grande, de profissionais da Europa ocidental para a realização de seus ambiciosos projetos abriu as portas à influência estrangeira, sobretudo holandesa, alemã, francesa e italiana. Ao barroco -- que adquiriu nova expressão, corporificada no peculiar senso russo de forma, escala e escolha de materiais-- seguiu-se o estilo rococó, com seu refinamento clássico, que culminou no estilo russificado do império, notável por sua monumentalidade, integração de volume e espaço, colorido e decoração escultórica.

Entre as principais edificações desse período, destacam-se a catedral do convento Smolni (1748-1764) e o palácio de Inverno (1732); a Academia de Belas-Artes (1764-1788); o Almirantado (1806-1823); os edifícios do Sínodo e do Senado (1829-1834); e o novo Ermitage (1840-1850). Enquanto isso, em Moscou as construções apresentavam características mais modestas, como os edifícios da universidade (1817-1819) e o Teatro Bolshoi (1821-1824). A partir de 1830, no entanto, os arquitetos moscovitas adotaram uma linha nacionalista, com a criação de um estilo genuinamente russo, de que são exemplos a igreja de Cristo, o Salvador (1837) e o Grande Palácio do Kremlin (1839-1848).


Período soviético
A revolução socialista de 1917 ocorreu num momento em que os movimentos arquitetônicos de vanguarda já se haviam difundido na Rússia. Durante os primeiros anos, entre 1918 e 1922, os arquitetos, em seu desejo de traduzir a dinâmica da revolução em formas plásticas, tenderam para o simbolismo e depois para o construtivismo, o funcionalismo e as teorias da escola de Bauhaus. A experimentação modernista continuou até 1930, quando teve início o movimento de retorno ao classicismo monumental e decorativo das criações de Ivan Joltovski e  Zinovi Rozenfeld, entre outros.

O ressurgimento do nacionalismo no final da década de 1930 produziu a volta às tradições, cujos exemplos mais expressivos são algumas estações do metrô de Moscou, a Exposição Agrícola da União (1939-1940), a Universidade Estadual de Moscou, hotéis, edifícios públicos e residenciais. A partir do final da era stalinista, caracterizada na arquitetura pelo chamado estilo stalinista do pós-guerra, numerosos arquitetos passaram a defender o abandono dos clichês clássicos. Em 1955 o governo iniciou um programa de revisão do desenho arquitetônico, com o objetivo de padronizar a indústria de construção. Dedicou-se então particular atenção ao desenvolvimento de materiais de construção, tais como plásticos, metais leves e concreto reforçado, e às possibilidades decorativas de formas não-convencionais.

À luz das novas experiências, os arquitetos passaram a reinterpretar os princípios da moderna arquitetura, reconciliando o novo e o velho. Exemplos dessas concepções são visíveis nas cidades satélites de Moscou e Leningrado, nos conjuntos residenciais de Nova Cheremuchki, em Moscou, no Pavilhão Soviético da Exposição Internacional de Bruxelas, de 1958, e nos edifícios modernos de Moscou: palácio dos Congressos, no recinto do Kremlin, projeto coletivo, dirigido por Mikhail Vassilievitch Possokhin; edifício da praça Arbat; cinema Outubro; arranha-céu do Comecon; e o cinema Rússia, na praça Puchkin.

O crescimento da população urbana, as guerras e a necessidade de destinar verbas substanciais à criação e implantação da indústria pesada agravaram o problema habitacional na União Soviética. Para resolvê-lo, o governo recorreu à padronização, ao emprego de pré-moldados e à eliminação do supérfluo, o que sem dúvida barateou e acelerou a construção, mas não contribuiu para a estética da arquitetura russa do período soviético.

Fonte: Mega Times e Klima Naturali
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