HISTÓRIA DA ARQUITETURA JAPONESA

Desde seus primórdios a arquitetura japonesa revelou, quer em suas manifestações religiosas, quer em obras profanas, e ao longo das diversas fases vividas pelo país, características tipicamente nacionais.

Tanto por suas qualidades estéticas intrínsecas quanto pela marcante influência que viria a exercer no Ocidente, a arquitetura japonesa é reconhecida como uma das mais importantes contribuições do espírito nipônico à cultura universal.

Antecedentes. Os primeiros exemplos de arquitetura japonesa são construções elementares de forma circular que datam do período Jomon, até o século III a.C. Essas construções aumentaram de tamanho à medida que se desenvolveu uma sociedade agrícola bem estruturada, no período Yayoi, do século III a.C. ao século III da era cristã.

Da fase a que se deu o nome de Tumular ou Kofun (século III ao século VI), datam imensas catacumbas principescas onde se encontraram peças de argila (haniwa) em que se vêem representados modelos arquitetônicos mais antigos porém tipicamente japoneses, ao lado dos santuários xintoístas de Ise e Izumo. Caracterizam-se pelo uso da madeira, telhado de sapé ou ripas, piso elevado, plano assimétrico e adaptação às condições naturais.


Períodos Asuka e Nara (552-794)
O budismo, introduzido no país em 552, revolucionou vários planos da vida cultural japonesa, inclusive o da arquitetura e sobretudo no século VIII, época de forte influência da China, que, através da Coréia, fez-se sentir, por exemplo, na adoção do plano simétrico na construção dos templos, erguidos sobre bases de pedra, rodeados de areia e com generoso emprego da cor, nos moldes dos palácios chineses.

Os melhores exemplos da arquitetura budista do período Asuka podem ser apreciados em Nara: são os pagodes de Hokki-ji, do ano 706, e de Horyu-ji, de 607 (reconstruído em 711), talvez as mais antigas estruturas de madeira preservadas em todo o mundo.   Com a mudança da capital para Nara (Heijo-kio), a primeira cidade japonesa planificada, as atividades aumentaram. Até então, a sede da corte era transferida sempre que um soberano morria, com o que se procurava evitar, segundo o preceito xintoísta, a poluição da morte.

O plano original da cidade de Nara obedecia ao da capital chinesa, Changan: o palácio imperial situava-se ao norte, com as ruas e avenidas entrelaçando-se a sua frente. Ao contrário de Changan, no entanto, Nara não era uma cidade murada, nem possuía uma reserva de caça para o soberano.

A arquitetura japonesa do período é definida como uma versão mais complexa da chinesa do período Tang: os templos e seus anexos são mais amplos e a fragilidade estrutural da arquitetura Asuka é substituída por um sistema de modilhões (ornatos de sustentação dos tetos das cornijas, em forma de S com voltas desiguais, por onde escorriam as águas da chuva) colocados nos quatro cantos dos beirais, capaz de suportar maiores tensões (como no pagode oriental de Yakushi-ji, erguido em Nara no ano 718).

Entretanto, o melhor exemplo da arquitetura de Nara é o Saguão Dourado do Todai-ji, na própria cidade, que em sua mais recente forma data de 1705, mas que já no século VIII era suficientemente alto para abrigar uma estátua de Buda com cerca de 16 metros de altura.

Período Heian (794-1185)
Frustrada a tentativa de instalar em Nagaoka a nova capital do país, em 794 ela se fixou em Heian-kio, atual Quioto, traçada com plano semelhante ao de Nara. O budismo esotérico serviu de base e inspiração às maiores construções do período: os templos Enryaku-ji, no monte Hiei, e Kongobuji, no monte Koya, perto de Osaka. Para dificultar o acesso aos membros leigos do budismo não-esotérico, os templos esotéricos, de dimensões consideravelmente menores e de plano assimétrico, situam-se fora da cidade, geralmente em encostas e montanhas ou em meio a florestas, com as quais se harmonizam (pagode de Muro-ji, do século IX).

Essa mesma harmonia entre a natureza e a arquitetura caracteriza a fase final do período Heian, durante o qual ressurge a influência de antiqüíssimos elementos nativos, como a utilização da madeira não pintada e o teto de ripas do palácio imperial de Quioto, lado a lado com a influência budista (santuário de Itsuku-shima). Nasce então o estilo de arquitetura doméstica que corresponde verdadeiramente ao gosto japonês -- shinden --, de que nenhum exemplo subsistiu. Os edifícios ocupavam cenários de jardins com lagos artificiais e eram dispostos em pavilhões interligados por galerias e corredores cobertos.

Período Kamakura (1192-1333)
Ao supervisionar a reconstrução dos dois grandes templos de Todai-ji e Kofuku-ji, em Nara, destruídos em 1180, o sacerdote Chogen introduziu novo estilo arquitetônico de origem chinesa, erroneamente conhecido no Japão por tenjikuyo ("estilo da índia"). Suas características, porém, não vingaram, dada a enorme quantidade de madeira necessária a suas construções, simples e destituídas de ornatos, como o Amida-do, de Jodo-ji, erguido em 1192 pelo próprio sacerdote Chogen.

Melhor sorte teve o Karayo ("estilo da China"), popularizado com ajuda do zen-budismo. Mais elegante e decorativo, o Karayo teve um exemplo típico no templo Kencho-ji, erguido em Kamakura em 1253.

Período Muromachi (1338-1573)
Ainda que continuasse popular o estilo Karayo, a concentração de todo o poder político em mãos de algumas famílias guerreiras gerou novas formas arquitetônicas, com a divisão das espaçosas salas da arquitetura doméstica de estilo shinden em aposentos menores. Pela mesma época fez sua aparição o estilo shoin. A unidade básica da casa passou a ser o shoin, formado por uma alcova (tokonoma), prateleiras decorativas e um vão dotado de janela, com uma escrivaninha (Togudo de Jisho-ji, de 1486, em Quioto).

Alguns dos mais belos jardins japoneses, cujo surgimento ocorreu no período Heian tardio, datam do período Muromachi. Tratava-se de reproduzir, em escala reduzida, a natureza, integrada ao complexo arquitetônico doméstico. Outro tipo de jardim é de origem zen: não utiliza a água e representa simbolicamente o mundo de acordo com o ponto de vista zen. Muso Soseki foi um dos maiores paisagistas zen. Seus jardins "secos" de Saihoji e Daiseinin, em Quioto, são o que de melhor existiu no gênero.

Período Momoyama (1573-1603)
A introdução das armas de fogo no país, em meados do século XVI, revolucionou a arquitetura militar e incentivou a arquitetura secular com a construção de numerosos palácios e castelos -- como o de Momoyama, que deu nome ao período -- pesadamente fortificados (castelo Azuchi, edificado em 1576). O estilo shoin foi reelaborado em obras como as câmaras de hóspedes do Kojoin, um subtemplo do Onjo-ji, em Quioto (construído em 1601). Enquanto isso, apareceu nova forma arquitetônica relacionada com a cerimônia do chá: uma pequena sala, ou sukiya, de que é exemplo a sala Taian do Myoki-an de Quioto, construída no fim do século XVI.

Período Edo e Tokugawa (1603-1868)
Embora a arquitetura religiosa houvesse decaído no Japão, a ornamentação arquitetônica floresceu, ao mesmo tempo em que a arquitetura militar e a doméstica tornavam-se mais requintadas. Um novo conceito de jardinaria é representado pelos jardins do palácio de Shugakuin, em que a vista das montanhas circunvizinhas funciona como elemento estético.

Período moderno (a partir de 1868). Com a modernização do país e a introdução de novos materiais de construção, a arquitetura japonesa orientou-se para novos rumos. Os edifícios públicos sentiram o impacto da influência ocidental, mas as edificações residenciais mantiveram-se fiéis à tradição e aperfeiçoaram-na, principalmente no que diz respeito aos materiais leves, ao sentido de espaço e ao uso flexível das áreas internas.

A arquitetura moderna ocidental, com suas linhas simples, encontrou no Japão um terreno propício. O concreto armado foi logo introduzido, principalmente após o grande terremoto de Tóquio, em 1923, e Walter Gropius, Le Corbusier, Mies van der Rohe e outros grandes arquitetos ocidentais marcaram a formação dos jovens arquitetos japoneses no século XX, Após a segunda guerra mundial, Tange Kenzo, talvez o mais conhecido arquiteto japonês na segunda metade do século, Sakasura Junzo, Kosaka Hideo, Maekawa Kunio, Sato Takeo e outros, ora retomando a tradição nacional, ora adotando o estilo em vigor no Ocidente, criaram novas estruturas que repercutiram até mesmo em países ocidentais.

Sakasura Junzo, aluno de Le Corbusier, construiu diversos edifícios de nota, como o Museu de Arte Moderna de Kamakura (1951) e uma estação-magazine em Tóquio (1967). Maekawa Kunio, também aluno de Le Corbusier, projetou os pavilhões japoneses da Exposição Mundial de Bruxelas (1958) e da Feira Mundial de Nova York (1964-1965). No Centro Cultural de Saitama (1966), abriu perspectivas inteiramente novas para o projeto de centros comunitários.

Fonte: Mega Times e Klima Naturali
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