A CULTURA ZULU

Tags

Cultura Zulu
Os zulus são um povo do sul da África, vivendo em territórios atualmente correspondentes à África do Sul, Lesoto, Suazilândia, Zimbábue e Moçambique. Embora hoje tenham expansão e poder político restritos, os zulus foram, no passado, uma nação guerreira que resistiu à invasão imperialista britânica e bôere no século XIX.

A África do Sul não se divide simplesmente entre negros e brancos. Dentro desses dois grupos majoritários são diversas etnias diferentes, culturas próprias, origens distintas. Há brancos descendentes de holandeses, de ingleses, de gregos, de portugueses. Tem também quem não é considerado nem branco nem negro, como é o caso dos "coloureds" (misturas de dois ou mais grupos) e dos indianos. Já entre os negros há xhosas, suazi, sothos e, principalmente, zulus, o povo mais numeroso dentre os vários que formam o país.  Os zulus correspondem a 24% da população de 49 milhões. Ou seja, praticamente um a cada quatro sul-africanos é zulu, inclusive o atual presidente Jacob Zuma. O maior contingente fica na província de Kwazulu-Natal, zulu até no nome, considerada a pátria deles, onde respondem por cerca de 80% dos 10 milhões de habitantes. Os zulus têm fama de guerreiros, reforçada pela resistência às invasões estrangeiras nos séculos passados. Uma de suas características principais é a poligamia. O homem pode se casar quantas vezes quiser, desde que seja capaz de dar um padrão de vida confortável e igual a todas as esposas. O direito às múltiplas uniões é garantido na constituição sul-africana. O presidente Zuma, por exemplo, tem três mulheres. Segundo a tradição, cada esposa deve morar em uma casa separada e nenhuma delas com o marido. Outra regra é que o homem sempre deve estar à frente da mulher, metaforicamente e na prática também. Ou seja, entra e sai dos ambientes primeiro.

Os zulus também têm danças típicas que atravessam gerações. Uma das funções delas era receber povos estrangeiros nas aldeias com música e alegria. O passo mais tradicional é correr para frente e levantar uma das pernas o máximo possível, tentando fazer um ângulo de 180 graus com o chão. O movimento deve ser repetido várias vezes, com velocidade. Quanto maior a abertura dos homens, maior é a sua virilidade. No caso das mulheres, maior é a sua fertilidade.  Nos centros urbanos da África do Sul as etnias têm padrões de comportamento mais próximos. As diferenças se acentuam verdadeiramente em áreas rurais, onde até hoje algumas delas, como o caso dos zulus, mantêm suas tradições.

- As pessoas às vezes me perguntam sobre a importância de continuarmos com nossa cultura e nossos costumes. Mas acontece que quando você me vê vestido com uma roupa de zulu, ou falando zulu, por exemplo, sabe de onde eu venho, de que povo eu pertenço e, assim, conhece um pouco da minha história. Isso é identidade - argumenta o guia.

- Em algumas culturas nós somos vistos como machistas. Este é o ponto de vista dos outros. No nosso, nós na verdade protegemos nossas mulheres. Por isso andamos sempre na frente, para que sejamos nós, e não elas, a encarar os perigos que surgirem no caminho - explica um guia da Shaka Land, espécie de parque temático em Kwazulu-Natal especializado na cultura zulu.