HISTÓRIA DA MODA (1900-1980)

(1900-1939)

O período que vai do início do século ao princípio da I Guerra Mundial é chamado, geralmente de Era Eduardiana, mas ficou mais conhecida como La Belle Epoque, devido a predominância da língua francesa na época. Trazia consigo as marcas do final do séc. XIX.

Foi um período marcado pela ostentação e extravagância. Como característica da época, tudo era feito em maior quantidade que o necessário, privilegiando a forma em detrimento do conforto. A peça do vestuário feminino que mais caracteriza essa fase é o espartilho. Concebido como uma peça que proporcionava uma postura “saudável”, pois, através de uma pressão acentuada sobre o abdômen, fazia com que o corpo ficasse extremamente rígido, levantando o busto e jogando os quadris para trás. A saia, lisa sobre os quadris, se abria em direção ao chão em fora de sino. Do decote jorravam verdadeiras cascatas de renda e babado. Os cabelos eram, normalmente, presos no alto da cabeça e o inseparável chapéu se projetava para a frente da cabeça, como se fosse uma tentativa de equilibrar o peso da figura. À noite, os vestidos apresentavam decotes generosos, contrastando com o corpo totalmente coberto durante o dia. Isso tudo sem mencionar as plumas, usadas nos chapéus ou em volta do pescoço. Outra característica da época eram as cores, que refletiam o grande otimismo daqueles que tinham muito dinheiro para gastar. Predominavam os tons pastel de rosa e azul-claro ou malva ou preto com pequenas lantejoulas pregadas em toda a roupa. Os tecidos mais usados eram crepe de chine, satin, chifon, musseline e tule. Muitos vestidos de cetim era bordados com motivos florais ou pintados à mão. A blusa era uma confecção requintada, toda adornada com pregas e entremeios. O bolero era extremamente popular, com mangas justas nos punhos e compridas o suficiente para cobrir até a metade das mãos. Outro aspecto do período, entretanto, era a importância dos trajes com corte masculino. As jovens que começavam a procurar um lugar no mercado de trabalho tornavam inviável o uso de roupas complicadas. As mulheres mais abastadas usavam esses trajes em viagens ou no campo. A partir de 1908 a silhueta da mulher começou a ser redesenhada. O busto já não era tão empurrado para frente, nem os quadris para trás. As blusas mais folgadas, mais folgadas caiam sobre a cintura ............ na frente foram abandonadas. Os chapéus ficaram maiores, fazendo com que os quadris ficassem menos evidentes, efeito que era reforçado pelo elegante vestido “império”. Por volta de 1910 houve uma mudança fundamental nas roupas femininas. Houve uma onda de orientalismo: as cores ficaram fortes, até exageradas, mas a sociedade as adotou com entusiasmo, abandonando as cores pastéis predominantes até então. No lugar dos corpetes entraram os drapeados suaves. As saias ficaram cada vez mais estreitas na barra, até que por volta de 1910, as saias se tornaram afuniladas, o que fazia com que as mulheres dessem passos cada vez menores. O aspecto era de escravas de harém do oriente. Algumas mulheres usavam calças típicas de harém, visíveis sob a barra da saia, o que era sinal de extrema ousadia na época. À medida que a saia estreitava, o chapéu tinha o seu tamanho aumentado, fazendo com que o aspecto de triângulo com base para baixo, típico do séc. XIX, ficasse totalmente invertido. O adorno preferido não era mais a renda, mas sim, os botões que apareciam nos lugares menos esperados. Foi uma época de ouro para os estilistas. Por volta de 1913 ocorreu mais uma alteração: as golas dos vestidos começaram a ficar mais altas, alguma chegando até a altura das orelhas.................em seu lugar, havia o “decote em V”. Esse novo detalhe criou uma grande agitação, sendo condenado por parte da sociedade como um verdadeiro atentado ao pudor, até alguns médicos procuravam uma explicação científica que pudesse justificar seu banimento, mas em vão, porque esse decote foi imediatamente incorporado ao vestuário e a gola foi ficando cada vez menor. Pouco antes do início da I Guerra Mundial houve outra modificação na linha geral da vestimenta feminina. Sobre a saia, muito comprida e justa nos tornozelos, usava-se outra saia, uma espécie de túnica que ia até pouco abaixo dos joelhos. A forma dos chapéus também se modificou, tornando-se pequenos e bem ajustados à cabeça, adornados com plumas, não mais enroladas à aba, mas sim, eretas. Com o avanço da guerra e da necessidade da mulher trabalhar, o hábito da dupla saia foi sendo abandonado, pois era bastante incômodo . A próxima mudança só foi sentido já no final do conflito, em 1918 na Inglaterra com a introdução do vestido “padrão nacional”, que era uma roupa prática, com fivelas de metal em lugar dos colchetes e que podia ser usado na maioria das ocasiões. Em 1919 a moda retoma o ritmo, a saia justa foi substituída pela linha “barril”. O efeito era completamente tubular. A saia permanecia longa, mas era como um cilindro dentro do qual se acomodava o corpo. Havia uma tendência a abafar o busto e algumas mulheres chegavam até a usar achatadores para se adaptarem à moda. A cintura desapareceu por completo e começa a aparecer o desenho da cintura em torno do quadril, que seria um marco da época. Em 1925 aconteceu aquilo que é considerado a primeira revolução no vestuário feminino no séc. XX: chegaram as saias curtas, cobrindo apenas os joelhos. Isso causou verdadeiro escândalo e eram condenadas em toda parte. Chegou-se a dizer que um terremoto ocorrido na Itália tinha sido causado pela vingança de Deus contra o uso da saia curta. Chegou a ser proibida para maiores de 14 anos, mas a resistência foi grande e fez surgir um novo tipo de mulher. O sensual era andrógino, já que as curvas femininas desapareceram, os cabelos se tornaram curtos e lisos, culminando, por volta de 1927, com o estilo a la garçonne, que marcou época. O chapéu ainda era uma peça imprescindível e o estilo era o cloche. O que diferenciava a garota do rapaz eram os lábios vermelhos e sobrancelhas fortemente realçadas a lápis. Como era uma criação inglêsa, a moda francesa entrou em decadência, mas em compensação, começaram a surgir novos nomes, sintonizados com os novos tempos, como por exemplo, Madame Paquim, Madeleine Vionnet e, a mais marcante de todas que foi Coco Chanel, que reinou absoluta por vários anos até o aparecimento de Elza Schiaparelli, que foi responsável pela introdução de “roupas boas da classe trabalhadora na sociedade”. No final da década de 20 as saia repentinamente começaram encompridar, até por pressão dos fabricantes de tecidos, e a cintura retornou ao seu lugar. O chapéu cloche foi abandonado os cabelos voltaram a crescer. Voltaram as mangas compridas. O padrão que marcou a década de 30 era o de ombros largos e quadris estreitos, mas sem a rigidez que predominava em épocas passadas. Nesse período a zona erógena para das pernas para as costas. Os decotes mostram até a cintura e a saia mais justa nos quadris começava a mostrar melhor o formato das nádegas. As roupas de banho começavam a merecer a atenção de estilistas, o que começou a influenciar na moda cotidiana, o mesmo acontecendo com as roupas para a prática de esportes, como por exemplo, o tênis que continuou a ser praticado de saias curtas. Em 1931 começas a aparecer as saias com abertura lateral que ia até abaixo do joelho, efeito que era bastante provocativo quando era usado sem meias. Nessa época, o estilo marcante foram os vestidos de corte justo e reto. As moças altas eram mais admiradas e os estilistas procuravam acentuar ainda mais esse atributo. No entanto, chegava a Grande Depressão, o que teve forte influência na moda, entre as quais o uso de roupas cortadas sobre moldes, fazendo com roupas destinadas às mais diferentes classes passassem a ter maior semelhança, o que reduzia o preço final. O uso de tecidos sintéticos, mais baratos, começou a se difundir. Em meados da década de 30, houve uma onda de romantismo, principalmente para os trajes noturnos. A saia encurtou e era franzida no estilo camponês. Houve até quem tentasse ressuscitar o espartilho. No verão de 1939, a revista Vogue publica um artigo que dizia que a silhueta ideal era aquela que mostrava uma cintura fina, e para mostrá-la talvez fosse necessário usar um espartilho “leve com barbatanas”.

(1940 a 1980)

Paris cai em mãos alemãs em 1940, mas apesar das restrições impostas, a moda sobrevive. A influência americana começa a ser sentida: cinturas finas, saia com pregas finas, presas por penses, blusas justas, chapéus e luvas. O detalhe era bastante valorizado, como por exemplo, o bolso falso que dava mais volume à saia. Ombro era quadrado de corte masculino, lembrando fardas militares, assim como o corte das calças. Os sapatos ainda tinham aspecto bastante pesado. Depois de um período de grandes crises, a moda começa a se soltar, apresentando um tendência para o luxo e nostalgia. Mais tarde, as mulheres começaram a deixar de lado o corte masculino em busca da valorização das curvas femininas. O new look proposto por Christian Dior obedeceu a essa tendência, saias amplas de cintura apertada, blusas estruturadas, sapatos altos e chapéus grandes. A moda militar permaneceu por muito tempo, em roupas comuns, e até a década de 70 ainda se via influência das fardas britânicas e americanas. A atmosfera na década de 50, em Paris, era sofisticada. Peles, cachemere, mohair e jóias eram itens muito valorizados. A parcela mais jovem do público feminino começou a demosntrar sua vontade, não aceitando a “moda” feita para suas mães. O look “estudante de arte” se popularizou pois renegava o luxo vigente. O popular “sportswear” americano se difundiu rapidamente entre os jovens, como calças cigarettes até os tornozelos, sapatos baixos e jeans. Tudo se juntou a peças criadas por estilistas que combinavam com essa moda popular, como o cardigan justo debruçado (que voltou no final dos anos 70), a camisa Chanel em estilo masculino com abotoaduras e seus paletós em forma de cardigans, precursores da moda unissex. O “beatnik look” surgiu nas ruas, inspirados nas roupas de astros da música e uniformes de gangues de rua. A demanda por roupas para jovens começa a crescer, o que acabou chamando a atenção de alguns estilistas. Mary Quant abriu sua loja Bazaar na King’s Road em 1958. O prêt-a-portér começa a ficar mais forte e o sportswear americano ganha a Europa. Na década de 60 já se começa a produzir moda para adolescentes. Os modelos mudavam depressa e os fabricantes tinham dificuldades em atender a demanda. Havia uma corrida frenética às lojas para se manter atualizados. As sais eram as mais curtas até então, os cabelos compridos e soltos. Nasce a pop art: novos escritores, novos músicos e novas tendências. Para os estilistas desse período o corpo passou a ser um veículo para criação, onde qualquer idéia ou imagem poderiam ser mostradas. Enquanto que na década de 40 as roupas enfatizaram a cintura e o busto, na década de 50 a ênfase reacia sobre os quadris e nos anos 60 a tendência era mostrar mais o corpo que se valorizava mais quando contraposto a linhas duras e geométricas. As saias chegavam à altura das coxas, os decotes se aprofundaram e começava-se a explorar as transparências. Até as calcinhas diminuíram de tamanho, para pode se acomodar às saias curtas e calças saint tropez. Aparecem malhas justas e marcantes que hoje são muito comuns. Yves Saint-Laurent trouxe o beatnik dos anos 50 para a nova década adaptado a vison preto e cetim ciré. O look menina foi adotado por Emmanuelle Khan e Courréges surpreende o mundo com a moda branca da era espacial, cortes quadrados com botas cano alto. Paco Rabanne encanta platéias com argolas de metal e discos de plástico, além de penteados de corte reto. Mary Quant avança com modelos simples, práticos e versáteis, até que em 1965, ela revoluciona a moda ao lançar a minissaia. Outra tendência que começa a despontar são os padrões chamados psicodélicos. Os tecidos sintéticos se misturam às fibras naturais, couro, plástico, metal, etc. A moda começa a ser inventada nas ruas. As bijuterias começam a fazer parte do vestuário dos jovens. As influências do oriente ficam mais forte e, surge um dos movimentos mais marcantes da história, o movimento hippie. O centro de tudo passou a ser San Francisco, o jeans toma conta das ruas, de preferência, sempre bordados ou com aplicações com motivos florais – era o flower power – e com as famosas boca-de-sino, os vestidos e camisetas ganham as cores e motivos da Índia e flores penduradas nos cabelos. No final da década, com a decadência do movimento hippie, houve um retorno à moda tradicional, ou seja ditada pelos estilistas. A moda começa a olhar para trás em busca de novas inspirações. Desta vez, porém, procura-se a forma com novos cortes e novos tecidos. Outra tendência observada foi a utilização dos cortes masculinos às calças, camisas e paletós femininos. O uso da malha se difunde, sendo usada até em casacos. As nádegas voltam a merecer a maior parte da atenção à medida que as calças ficaram mais apertadas e todas as malhas eram colantes. O movimento feminista entra em ação e afeta a maneira de vestir, pois as mulheres buscavam também o conforto para trabalhar. Paletós e jaquetas com cortes masculinos, característica que avançou pelos anos 80. A tentativa era de se igualar ao homem, não só na capacidade, como também no aspecto. Por volta de 1982, encontramos camisas sem colarinho, suspensórios, coletes e até dinner jackets. Surge o intercâmbio de visual: as mulheres adotam a forma da jaqueta aviador e camisa masculina e os homens se apropriaram das calças esportivas listradas e coloridas das mulheres. Na Inglaterra, nota-se a passagem dos modismos de rua para a alta moda, como por exemplo, as roupas e penteados punk, o uso de correntes e adereços de metal. Os cabelos ganham as cores mais inusitadas. A onda é o new wave e se torna muito popular. Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, a resposta vem com criações limpas e calmas, a simplicidade é levada ao extremo com uma moda quase minimalista. O uso de cortes enviesados com um mínimo de costuras permitem uma interação maior entre corpo e tecido. Menos sofisticado, porém popular, é o country look, que encontrou adeptos até na Europa.