DODECAFONISMO

Definido pelo uso, pela escuta de povos e culturas, as escalas musicais funcionam como um pequeno sistema que toma uma de suas notas como eixo, ou pólo. Assim quando cantamos dó, ré, mi, fá, sol, lá, si….sentimos a falta de finalizarmos sobre o dó novamente (repetido uma oitava acima, ou seja, como oitava nota desta seqüência).

No ocidente essas escalas foram constantemente retrabalhadas, destacando-se três fases importante: o modalismo, o tonalismo e o atonalismo. O modalismo trabalha as escalas em modos, num total de sete modos e suas variáveis.

A música modal se caracteriza pela combinatória das notas de cada modo, tomando a primeira nota como o seu pólo. As notas podem ser combinadas e recombinadas em melodias e acordes, resultantes da sobreposição de melodias (a polifonia). São essas combinações e recombinações que os músicos chamam de colorido harmônico, pois ao juntarmos duas ou mais notas temos a impressão de ouvir uma mudança no som, uma mudança de colorido.

Com a necessidade de novos recursos expressivos, os compositores foram ampliando essas escalas e incorporando novas notas, fazendo com que a escala inicial de sete notas mais uma (oito notas) se ampliasse para doze. Por outro lado as melodias sobrepostas passaram a gerar acordes que foram catalogados e elencados em um novo sistema. Um sistema de acordes constituídos da sobreposição de três notas seguindo um intervalo de três: dó-mi-sol; ré-fá-lá; mi-sol-si;fá-lá-dó e assim por diante. Como o intervalo entre as notas era desigual, entre dó e ré tinha-se um tom, mas entre mi e fá tinha-se apenas meio tom, surgiram três tipos de acordes: os maiores, em que a distancia entre a primeira e a segunda nota era de dois tons (dó-mi); os menores, com a distância de apenas dois tons e meio (ré-fá); e os diminutos, em que as três notas do acorde somavam-se numa seqüência de três tons (tom e meio mais tom e meio).

Este processo desemboca no que se chama de música tonal, sistema em que para cada nota polar, a cada eixo, corresponte um conjunto de acordes que funcioma criando momentos de tensionamento e relaxamento de acordo com sua distância e com as dissonâncias que cria quando comparado com as notas que formariam o acorde principal, o acorde montado sobre a nota fundamental, sobre a nota que denominaria o eixo da peça (dó maior, dó menor, ré maior, ré menor, etc).

Outras ampliações deste sistema se deram, e no final do século XIX o sistema tonal se viu totalmente ampliado resultando no que chamamos de Atonalismo. No atonalismo os compositores se valem dos acordes tonais, mas agregam a eles outras notas, modificam algumas de suas notas, ampliando aquele colorido definido no modalismo e coordenado como tensão-relaxamento no tonalismo.

Frente ao amplo quadro de possibilidades deste modo de composição, o compositor austríaco Arnold Schoenberg propõe no início da década de 1920 uma sistematização que ganhou o nome de sistema dodecafônico ou dodecafonismo. O sistema consiste no uso das doze notas da escala cromática (a escala musical empregando todas as notas contidas em uma oitava – de dó a dó) de maneira equalitária, sem uma nota privilegiada como eixo ou pólo. Difere-se do sistema tonal por propôr uma equivalência entre as notas de modo que nenhuma delas funcione como pólo de atração para o qual tenderiam acordes e notas de uma escala escala.

Adepto do que vinha sendo chamado por expressionismo musical, Schoenberg descobre que ao permutar as doze notas da escala, tirando-as de sua ordem crescente, e ao recombinar essas notas em acordes e melodias, mas sempre obedecendo a seqüência determinada pela primeira permutação, ele limitava o número de acordes e trazia à música uma unidade de colorido harmônico. Com isso ele podia se valer sem restrição do novo modo expressivo inventado, sem correr o risco de cair em uma obra sem unidade.

Os primeiros compositores a empregar a técnica dodecafônica, no que se chamou posteriormente de serialismo dodecafônico, são o próprio Arnold Schoenberg e seus alunos Anton von Webern e Alban Berg (1885-1935).

Encontrando muita familiaridade entre a sonoridade da música dodecafônica e aquela da música tonal do final do romantismo, Anton Webern pulveriza as notas na grande tessitura instrumental, fazendo com que a distância entre notas no extremo agudo e outras no grave eliminasse a sensação de tensão-repouso própria da música tonal. Dentre as suas primeiras obras nesse estilo se destacam Cinco Peças para Piano, Op.23 e Serenata, Op.24.

O dodecafonismo chega ao Brasil em meados da década de 1930 e se estabelece como principal modelo de referência para a produção de vanguarda até o final da década de 1950. Desenvolve-se em torno da obra do compositor e professor alemão Koellreuter, radicado no Brasil.

Serialismo integral – Método de composição que surge no século XX como desdobramento do dodecafonismo. e que consiste em aplicar as mesma norma de serialização das notas para os parâmetros da duração, intensidade e timbre. As primeiras obras do serialismo integral surgem nas aulas do compositor Olivier Messiaen (1908-1994) como trabalho em que os então jovens compositores Pierre Boulez e Karel Goyevaertz (1923-1993) compõem a partir de idéias que Messiaen desenvolver em sua peça Modes de Valeures e d’Intensité. A Sonata para Dois Pianos se tornará um marco para o serialismo integral, chamado a partir daí apenas por música serial, grupo do qual fará parte anos depois o compositor alemão Karlheinz Stockhausen, autor de Kreuzspiel e Zeitmasse e principal articulador da música serial eletrônica na década de 50.

Fonte: Mega Times e Klima Naturali
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