DADAÍSMO

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Movimento artístico e literário anárquico fundado em 1916 por artistas e intelectuais exilados em Zurique, na Suíça, durante a I Guerra Mundial. Mais tarde se expande por outros países da Europa e pelos Estados Unidos (EUA). Caracteriza-se pelo desejo de destruir as formas de arte institucionalizadas e de romper o limite entre as várias modalidades artísticas. Os artistas opõem-se à sociedade materialista, vista como fracassada por promover a guerra, e propõem ignorar o conhecimento até então acumulado pela humanidade.

A provocação, a irreverência e a rebeldia, típicas do grupo, acham-se presentes no nome do movimento. Hugo Ball, fundador do Cabaret Voltaire, abre um dicionário e escolhe ao acaso a palavra dadá, que na linguagem infantil francesa corresponde a cavalinho de pau. A palavra acaba sintetizando o espírito infantil demolidor do movimento.

Na Europa, os principais representantes são o poeta romeno Tristan Tzara, o escultor francês Hans Arp (1887-1966) e os pintores alemães Max Ernst, Kurt Schwitters (1887-1948) e Raoul Hausmann (1886-1971). Nos EUA, destacam-se o artista francês Marcel Duchamp, radicado no país, e o fotógrafo e artista Man Ray. O movimento se espalha para diversas cidades européias, ganhando em cada uma delas uma faceta particular: Tzara em Paris, Hausmann em Berlim, Schwitters em Hannover, Ernst em Köln

Por volta de 1922, muitos de seus adeptos em Paris se voltam para o surrealismo, que assume o radicalismo dadaísta, ajudando a manter o que depois se chamaria de performance, happening e instalação como uma de suas principais manifestações artísticas.

ARTES PLÁSTICAS – Objetos do cotidiano são retirados de contexto e elevados à categoria de arte com pouca ou nenhuma mudança. Um exemplo dessa forma de arte chamada de ready-made é o mictório que Duchamp intitula Fonte. O ready-made questiona o valor do objeto artístico como mercadoria preciosa e abala a noção de arte consagrada pela sociedade ocidental.

Obras de sucata também caracterizam o dadá, como o Merzbau, instalação de objetos agregados, de Kurt Schwitters, ou a Cabeça Mecânica de Hausmann. Alguns artistas criam de olhos fechados para dar vazão ao automatismo psíquico.

LITERATURA – Os primeiros poemas dadaístas foram compostos por Hugo Ball e apresentados no Cabaret Voltaire. Tratava-se de poemas fonéticos, reunião de palavras sem sentido algum, declamadas apenas por sua sonoridade. Também o poema simultaneista, criação coletiva, apresentava ao mesmo tempo as declamações de textos diferentes em diferentes línguas. Depois do futurismo, o movimento dadá é o que mais produz manifestos. Os manifestos são um tipo de obra literária. A Primeira Aventura Celeste de M.Antipyrine, uma reunião de palavras sem conexão sintática nem sentido lógico, de Tristan Tzara, introduz a literatura dadá. Tzara propõe a composição por meio de um sorteio de palavras. Entre os autores franceses destacam-se André Breton e Louis Aragon (1897-1982), que fundaram depois o surrealismo.
TEATRO – Sua principal característica é a rebeldia da encenação. Os atores apresentam-se em espaços não convencionais e brincam com a platéia. Os textos são improvisados ou escritos com forte carga poética, algumas vezes sem lógica. O Coração a Gás, de Tristan Tzara, é considerada a peça mais importante do Dadá-Paris. Em Berlim se realizavam noitadas improvisadas e a atribuição de títulos honoríficos dadaístas aos políticos mais conhecidos, a sua revelia.

DADAÍSMO NO BRASIL – O dadaísmo repercute na produção de alguns artistas nos primeiros anos do modernismo. Certas obras do arquiteto, pintor e escritor Flávio de Carvalho e do pintor e poeta Ismael Nery podem ser associadas ao dadá. Ambos têm uma visão dessacralizada da arte e não estabelecem muitos limites entre ela e a vida. Flávio de Carvalho é ainda protagonista de verdadeiras ações dadaístas, como seu desfile com um saiote masculino, sua invenção, no centro de São Paulo.