A MULHER NA CIÊNCIA

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 Hipátia

Hipátia - era filha de Theon, um renomado filósofo, astrônomo, matemático, autor de diversas obras, e professor em Alexandria. Criada em um ambiente de idéias e filosofia, tinha uma forte ligação com o pai, que lhe transmitiu, além de conhecimentos, a forte paixão pela busca de respostas para o desconhecido. Diz-se que ela, sob tutela e orientação paternas, submetia-se a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helênico de ter a mente sã em um corpo são. Hipátia estudou na Academia de Alexandria, onde devorava conhecimento: matemática, astronomia, filosofia, religião, poesia e artes. A oratória e a retórica também não foram descuidadas. No tocante à Religião, buscou e obteve informações sobre todos os principais sistemas religiosos da época tempo, tendo sempre o cuidado de não permitir que essas crenças limitassem ou deturpassem a busca de conhecimento.

Quando adolescente, viajou para Atenas, para completar a educação na Academia Neoplatônica, onde não demorou a se destacar pelos esforços para unificar a matemática de Diofanto com o neoplatonismo de Amónio e Plotino, isto é, aplicando o raciocínio matemático ao conceito neoplatônico do Uno (mônada das mônadas) . Ao retornar, já havia um emprego esperando por ela em Alexandria: seria professora na Academia onde fizera a maior parte dos estudos, ocupando a cadeira que fora de Plotino. Aos 30 anos já era diretora da Academia, sendo muitas as obras que escreveu nesse período. Infelizmente, a maioria dessas obras não chegou até nós, tendo sido destruída junto com a Biblioteca ou quando o templo de Serápis foi saqueado. O que sobrou provém, principalmente, de correspondências que ela trocava com outros professores e com os alunos. Um desses alunos foi o notável filósofo Sinésio de Cirene (370 - 413), que lhe escrevia freqüentemente, pedindo-lhe conselhos. Através destas cartas, sabemos que Hipátia inventou alguns instrumentos usados na Física e na Astronomia, tais como o astrolábio, o planisfério e um hidrômetro.

Sabemos também que desenvolveu estudos sobre a Álgebra de Diofanto ("Sobre o Cânon Astronômico de Diofanto"), tendo escrito um tratado sobre o assunto, além de comentários sobre os matemáticos clássicos, incluindo Ptolomeu. E, em parceria com o pai, escreveu um tratado sobre Euclides.

Ficou famosa por ser uma grande solucionadora de problemas. Matemáticos confusos, com algum problema em especial, escreviam-lhe pedindo uma solução. E ela raramente os desapontava. Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam porque jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade.

A tragédia de Hipátia foi ter vivido numa época de luta aguda entre o Paganismo declinante e o Cristianismo triunfante, que se impunha no mundo greco-romano. Ela era neoplatônica e defensora intransigente da liberdade de pensamento, o que a tornava má vista por aqueles que pretendiam encarcerar o pensamento nas celas da ortodoxia religiosa.

Hipátia por Charles William Mitchell (1885)
O fim trágico se desenhou a partir de 390, quando Cirilo foi nomeado bispo de Alexandria, com a missão de destruir o Paganismo em todas as formas e manifestações. Ele era um cristão intransigente, que lutou toda a vida defendendo a ortodoxia da Igreja e combatendo as heresias, sobretudo o Nestorianismo. Acredita-se que tenha sido o principal responsável pela morte de Hipátia, ainda que não haja nenhuma prova inequívoca disso.

Por ensinar que o Universo era regido por leis matemáticas, Hipátia foi considerada herética, passando a ser vigiada pelos chefes cristãos. Por algum tempo, a admiração do prefeito romano Orestes (que fora aluno) a protegeu. Mas quando, em 412, Cirilo tornou-se Patriarca. de Alexandria, a sorte foi selada.

A morte trágica foi determinante para o fim da gloriosa fase da matemática alexandrina, de toda matemática grega e da matemática na Europa Ocidental. A partir do desaparecimento de Hipátia, nada mais seria produzido por um período mil anos e por cerca doze séculos nenhum nome de mulher matemática foi registrado

Émilie du Chatelet - Em 1737 ela publicou o ensaio Dissertation sur la nature et la propagation du feu, baseado em suas pesquisas com a ciência do fogo, predizendo o que hoje se conhece pelo nome de radiação infravermelho e a natureza da Luz. Seu livro Institutions de Physique saiu do prelo em 1740 e foi apresentado como uma avaliação das novidades nos campos da ciência e da filosofia. Du Châtelet escreveu este livro especialmente para seu filho de treze anos mas, mesmo assim, ela não deixou de incorporar e procurou reconciliar idéias deveras complexas expostas pelos principais pensadores de sua época. A autora também incorporou as teorias de Gottfried Leibniz e as observações práticas de Willem's Gravesande, um renomado filósofo e matemático neerlandês, para mostrar que a energia cinética de um objeto em movimento é proporcional à sua massa e ao quadrado de sua velocidade (E ~ mv2), e não diretamente proporcional como acreditava previamente Isaac Newton, Voltaire e outros. Quando Albert Einstein elaborou a sua famosa equação demonstrando que materia é energia E = mc2 (onde c representa a velocidade da luz), isso encaixou-se perfeitamente com um princípio reconhecido cento e cinqüenta anos antes.

No ano em que faleceu, du Châtelet completou uma obra que é tida como o auge de suas realizações no campo científico, isto é, a sua tradução ao idioma francês, com seus próprios comentários, da celebrada Principia Mathematica de Newton, inclusive a sua noção de conservação de energia que ela obteve dos princípios de mecânica contidos na obra por ela traduzida. Hoje em dia a sua tradução permanece como a tradução padrão em francês.

Primeiros anos de vida
Seu pai foi Louis Nicolas le Tonnelier de Breteuil, o principal secretário e apresentador de embaixadores a Louis XIV, um cargo que o manteve no vórtex da vida social da corte francesa e, assim, trouxe grande prestígio a sua família. A sua mãe, Gabrielle Anne de Froulay, foi criada em um convento.

Émilie de Breteuil foi uma criaça um tanto desajeitada e, por causa disso, recebeu lições de esgrima, hipismo e ginástica, tudo na tentativa de melhorar a sua coordenação física. Ela recebeu uma educação excelente para a sua época e ao completar seus doze anos ela já tinha se tornado fluente em Latim, italiano, grego e alemão. Mais tarde ela viria publicar suas traduções ao francês de obras clássicas da Grécia antiga. A sua família também manteve relações com o escritor Bernard le Bovier de Fontenelle. Ela foi educada em matemática, literatura e ciência. Ela também apreciava muito a dança, alcançou um nível bom como cravista, cantava em peças de ópera, e era uma atriz amadora.

Caroline Lucretia Herschel - (Hannover, 16 de março de 1750 - Hannover, 9 de janeiro de 1848) foi uma astrônoma inglesa. Nasceu em uma família de músicos alemães. Em 1772 ela se mudou para a Inglaterra para ficar com seu irmão, o astrônomo William Herschel. Depois de aprender astronomia sozinha e matemática com a ajuda de seu irmão, ela se tornou sua assistente.

Mais tarde, em 1787, Herschel foi nomeada assistente do Astrônomo da Corte, tendo sido a primeira mulher a ocupar esse cargo. Herschel tornou-se reconhecida em toda a Europa como uma grande astrônoma. Tanto em importante colaboração com seu irmão como sozinha, ela descobriu muitos cometas novos. Recebeu uma série de prêmios por seu trabalho, incluindo a Medalha de Ouro da Real Sociedade Astrônomica, em 1828. Ela era uma astrônoma autodidata. Seu sucesso ajudou a abrir o campo da astronomia para outras mulheres de sua época.

Marie-Anne Pierrette Paulze - (Montbrison, 20 de janeiro de 1758 — Paris, 10 de fevereiro de 1836) foi uma química e aristocrata francesa que se tornou famosa por ter sido a esposa de dois grandes cientistas: Antoine Lavoisier e Benjamin Thompson, também conhecido como Conde Rumford. No entanto, Marie-Anne Pierrette Paulze não foi apenas uma esposa para Lavosier. Ela foi uma valiosa colaboradora, documentando muitas vezes as suas experiências. Antoine Lavoisie também aproveitou outras duas capacidades de Marrie-Anne: a sua capacidade para traduzir textos originalmente escritos em latim ou inglês e finalmente a sua capacidade como ilustradora. Marie-Anne Pierrette Paulze era filha de Jacques Paulze, um membro da Ferme Général. Quando tinha três anos de idade, devido à morte da sua mãe, Marie-Anne foi colocada num convento, onde recebeu a sua formação inicial, e foi incentivada a estudar. Aos treze anos Marie-Anne foi retirada do convento para se casar com o Conde de Amerval, um aristocrata falido de cinquenta e um anos.

Este casamento "arranjado" foi imposto ao pai de Marie-Anne por Joseph Marie Terray, membro superior da Ferme Général. Terray actuou a pedido da Baronesa de la Garde, irmã do Conde de Amerval. Marie-Anne foi escolhida como futura esposa do conde porque a sua família era bastante rica.
Desde logo Marie-Anne Pierrette Paulze opôs-se ao casamento. Não querendo contrariar a vontade da sua filha, mas receado represálias por não obdecer ao "pedido" de Terray, Jacques Paulze contornou a situação, propondo o casamento de Marie-Anne com um jovem membro da Ferme Général, Antoine Lavoisier. Marie-Anne aceitou, e a cerimónia de casamento realizou-se a 16 de dezembro de 1771.

Pouco depois do início do casamento com Lavoisier Marie-Anne demonstrou interesse pelas suas actividades científicas. Assim Marie-Anne teve lições de Química com o químico Jean-Baptiste Bucquet, que lhe permitiram tornar-se assistente de Lavoisier.

Em várias ilustrações do trabalho de Lavoisier é possível identificar Marie-Anne sentada, tomando notas das experiências realizadas por Lavoisier, e anotando também os seus resultados. Alguns exemplos da colaboração de Marie-Anne com Lavoisier são as experiências sobre a combustão de enxofre e de fósforo e ainda as experiências sobre respiração.

Logo após a morte de Lavoisier, Marie-Anne tentou recuperar os relatórios feitos pelo marido e apreendidos pelo governo, em expecial o trabalho realizado por Lavoisier enquanto estava preso. Em 1803 Marie-Anne publicou, utilizando o seu próprio dinheiro, a primeira edição das Memoires de chimie. Em 1805 saiu uma segunda edição deste livro. Desta forma Marie-Anne fez tudo o que pode para restaurar o bom nome do primeiro marido.

Marie-Anne continuou a perpetuar a memória de Lavoisier até ao fim da sua vida. No seu segundo casamento manteve o apelido do primeiro marido. Continuou a realizar encontros sociais e festas, convidando artistas e cientistas. Manteve-se como uma figura importante da sociedade parisiense até à sua morte a 10 de fevereiro de 1836.

Sophie Germain - Filha de um comerciante que, embora financeiramente bem sucedido, não pertencia à aristocracia. Ainda adolecente, pesquisando a biblioteca de seu pai, encontrou o livro História da Matemática, de Jean-Étienne Montucla. O livro continha a enorme relação das descobertas de Arquimedes. Imediatamente, pôs-se a estudar a teoria básica de números, cálculos e os trabalhos de Leonhard Euler e Isaac Newton. Nunca se casou, tendo tido sua carreira de pesquisadora financiada por seu pai. Em 1794 foi fundada a Escola Politécnica de Paris, uma academia de excelência para a formação de matemáticos e cientistas de toda a nação, reservada exclusivamente para homens. Sem coragem para se propor ao conselho acadêmico, assumiu a identidade de um antigo aluno da academia, Monsieur Antoine-August Le Blanc. A administração acadêmica não sabia que o verdadeiro sr. Le Blanc tinha deixado Paris e continuou imprimindo e enviando suas lições, que ela interceptava, apresentando, semanalmente, suas respostas aos problemas sob seu pseudônimo. Dois meses depois, o supervisor do curso, Joseph-Louis Lagrange, surpreso pela transformação notável de um aluno medíocre, que agora apresentava soluções engenhosas aos mais variados problemas, requisitou um encontro com o aluno aparentemente reabilitado. Germain foi forçada a revelar sua identidade. Lagrange tornou-se seu mentor e amigo. Finalmente havia um professor que podia inspirá-la e com quem podia falar sobre suas ambições.

Aos vinte anos, interessada pela teoria dos números, e desejando discutir suas idéias com um teórico dos números, escreveu para Carl Friedrich Gauss, considerado o Príncipe dos Matemáticos. Embora já tivesse uma certa reputação em Paris, temendo não ser levada a sério por ser mulher, voltou ao pseudônimo, assinando suas cartas como Monsieur Le Blanc. Sua verdadeira identidade foi revelada quanto o imperador Napoleão, em 1806, invadiu a Prússia - o que levou Sophie Germain a solicitar ao general encarregado das tropas invasoras que garantisse a segurança de Gauss. Tendo tomado conhecimento de que devia sua vida a uma certa Mademoiselle Sophie Germain, perguntou quem era sua salvadora. Germain revelou sua verdadeira identidade. Longe de ficar aborrecido com o engano, Gauss escreveu-lhe dizendo de sua surpresa e satisfação por encontrar-se frente a um “inacreditável exemplo” de uma mulher matemática. E termina dizendo “... nada poderia provar-me, de maneira tão lisonjeira e inequívoca, que as atrações desta ciência que enriqueceu a minha vida com tantas alegrias não são uma quimera, quanto à predileção com que você me honrou”.

A correspondência com Gauss inspirou muito o trabalho de Sophie Germain, mas em 1808 o seu relacionamento terminou abruptamente quando Gauss foi nomeado professor de astronomia na Universidade de Göttingen. Os seus interesses passaram da teoria dos números para a matemática aplicada. Sem seu mentor e confidente desinteressou-se e, um ano depois, abandonou a matemática pura.

Iniciou uma carreira na física, disciplina na qual, mais uma vez, tornar-se-ia brilhante, apenas prejudicada pelos preconceitos existentes. Fez importantes contribuições que firmaram os fundamentos para a moderna teoria da elasticidade. Como resultado de suas pesquisas com os números primos e seu trabalho com o Último Teorema de Fermat ela recebeu uma medalha do Instituto de França e se tornou a primeira mulher que, não sendo a esposa de um membro, podia participar das conferências da Academia de Ciências.

Posteriormente, em seus últimos anos, refez o seu relacionamento com Carl Gauss, que convenceu a Universidade de Göttingen a premiá-la com um grau honorário. Antes que a universidade lhe tivesse concedido a honraria, Sophie Germain morreu de câncer no seio.

Embora tenha sido ela, provavelmente, uma das mulheres com maior capacidade intelectual que a França produziu, na notícia oficial de sua morte foi designada como uma rentière-annuitant (solteira sem profissão) – ao invés de matemática, além de ter sido omitido o seu nome da relação dos setenta e dois sábios cujas pesquisas contribuíram definitivamente para a construção da Torre Eiffel - quando os seus estudos para estabelecer a teoria da elasticidade foram fundamentais para a construção daquela torre.

Mary Fairfax Greig Somerville - Somerville nasceu na Escócia, no ano de 1780, e não teve educação escolar até os 10 anos de idade, quando foi mandada para uma escola onde aprendeu o que seria suficiente para a educação de uma mulher da sua época, mas isso não a satisfez. Aos 13 ou 14 anos de idade Somerville viu um problema de Álgebra elementar que com frequência aparecia nas revistas de moda feminina da época. Ficou curiosa para saber o que significavam aqueles símbolos, mas apenas conseguiu descobnr que se tratava de um certo tipo de Antmetica que usava letras em vez de números. Casualmente ouviu falar dos Elementos de Euclides, um livro que podena iniciá-la na Matemática. Todavia era difícil conseguir um exemplar, pois não era decente para uma mulher chegar numa Hvrana e comprar um livro de Matemática! Finalmente, por intermédio de seu irmão mais novo, conseguiu um exemplar, não só dos Elementos, mas também da Álgebra de Bonnycastle, livros usados nas escolas naquele tempo. Daí por diante, foi apenas estudar e aprender.

Seu pai irritou-se e tentou proibir seus novos estudos "masculinos". Mas Somerville decidiu dedicar-se totalmente à Ciência. Estudou o Principia de Newton, Astronomia física e Matemática superior.

Publicou vános artigos sobre Física expenmental e a pedido de amigos cientistas, aos 51 anos, escreveu um prefácio elucidativo e traduziu para o inglês o fabuloso e obscuro tratado de Laplace, Mécanique Celeste.

Somerville foi admitida por sociedades científicas de vários países. Foi a primeira mulher a ser admitida na Sociedade Real Inglesa de Astronomia, e a Sociedade Real Inglesa de Ciências chegou a mandar fazer um busto em sua homenagem e expô-lo no hall do prédio. Entretanto, ela nunca pôde vê-lo, já que mulheres não podiam entrar no prédio dessa Sociedade! O restante de sua vida, ela continuou produzindo artigos científicos de alto nível. Seu tratado "As conecções com as ciências físicas" foi publicado em 1834 e bastante elogiado pelo físico Maxwell, descobridor das leis do eletromagnetismo. John Couch, o descobridor do planeta Netuno, atribuiu as primeiras noções que ele teve da existência desse planeta a uma passagem que ele leu na sexta edição desse livro.

Nos seus últimos anos de vida, escreveu suas memórias, reviu um manuscrito sobre seu trabalho "Diferenças finitas" e quando morrreu, aos 92 anos de idade, no dia 29 de novembro de 1872, ela estava analisando um artigo sobre os quatérnios, um novo tipo de conjunto no espaço quadrimensional que aparece na Álgebra Abstrata.

Ada Lovelace - Filha legítima do poeta Lord Byron, nascida em 10 de dezembro de 1815, viveu uma vida modelo para as senhoras da corte inglesa do começo do século XIX. Casada aos 20 anos, assumiu o nome do marido e o título de condessa tornando-se a Condessa de Lovelace, a Sra. Augusta Ada King. E com o nome de Ada Lovelace entrou para a história como a primeira mulher programadora. Durante um perído de 9 meses entre os anos de 1842 e 1843, a Sra. Lovelace criou um algoritmo para o cálculo da sequência de Bernoulli usando a máquina analítica de Charles Babbage. Ada foi uma das poucas pessoas que realmente entendeu os conceitos envolvidos no projeto de Babbage e durante o processo de tradução de um paper italiano sobre o projeto de Babagge incluíu algumas notas de tradução que constituem o primeiro programa escrito na história da humanidade. Em 1980, o Departamento de Defesa dos EUA registrou a linguagem de programação ADA, em sua homenagem. Ada Faleceu aos 36 anos de câncer no útero deixando dois filhos e uma filha. Em 1953, quase cem anos depois da sua morte a máquina analítica de Babbage foi redescoberta e seu projeto e as notas de Ada entraram para história como o primeiro computado e software respectivamente.

Marie Curie - nasceu em Varsóvia, capital da Polônia, com o nome de Maria Sklodowska. Seu pai era físico e a mãe, que cedo morreria, era diretora de um colégio. Em 1891, mudou-se para a França, onde dois de seus irmãos já se encontravam, e iniciou seus estudos universitários. Viveu ali com poucos recursos, chegando, certa vez, a desmaiar de fome durante a aula. Quatro anos depois, casou-se com o químico Pierre Curie (optaram por realizar apenas a cerimônia civil, pois se consideravam anticlericais, e dispensaram também as alianças e o vestido de noiva. Em vez disso, preferiram adquirir duas bicicletas para passear). Estimulada pela descoberta dos raios X, feita por Roentgen, e das radiações do urânio por Becquerel, Marie Curie iniciou trabalhos de pesquisa que a levariam a identificar três diferentes tipos de emissão radiativas - mais tarde chamadas de alfa, beta e gama. Foi ela também que criou o termo radiatividade.

Apoiando-se na descoberta do efeito piezoelétrico feita por seu marido, criou um método para medir a intensidade das emissões radiativas de materiais diversos. Trabalhando com diferentes compostos de urânio, conseguiu também demonstrar que as emissões eram diretamente proporcionais à quantidade de urânio nelas presente. Isso provava que os átomos desse elemento eram os únicos responsáveis pela radiatividade daquelas substâncias. Em 1898, ela conseguiu também demonstrar a radiatividade do Tório. No mesmo ano, já auxiliada pelo marido, isolou, em meio a amostras de minério de urânio, diminutas quantidades de um novo elemento, ao qual deu o nome de polônio. Em dezembro, identificara outro elemento, e quantidades menores ainda: o rádio.

Para obterem maiores quantidades desses novos elementos, os Curie foram buscar sobras de minérios na Boêmia (hoje parte da República Tcheca). Para isso, investiram suas próprias economias. Nos quatro anos seguintes, trabalhando num laboratório construído num barracão de madeira, em Paris, purificaram toneladas desses minérios. Assim, em 1902, conseguiram obter deles 0.1g de rádio. Mais tarde, purificado oito toneladas de um minério chamado pechblenda, obtiveram mais 1g de um sal de rádio. Jamais decidiram patentear o processo de obtenção desses materiais.

Em 1903, dividiram com Becquerel o prêmio Nobel de Física. Após a morte de Pierre Curie, em 1906, Marie assumiu seu cargo de professor na Universidade de Sorbonne, tornando-se a primeira mulher a ali lecionar. Em 1911, ela receberia também o Prêmio Nobel de Química.
No final da vida, dedicou-se a supervisionar o Instituto do Rádio, organização para estudos e trabalhos com radiatividade, sediado em Paris. Faleceu devido à leucemia, adquirida pela excessiva exposição à radiatividade.

Valentina Tereshkova - A primeira pessoa do sexo feminino a ir ao espaço foi uma garota soviética de 26 anos que atendia pelo sugestivo nome de Valentina. Naturalmente, naqueles primeiros anos de Guerra Fria, ela não era militar. Trabalhava numa fábrica têxtil e participava de um clube amador de pára-quedismo. Depois do histórico vôo de Gagarin em 1961, o visionário Sergei Korolev, talvez o maior mentor do programa espacial russo, teve a idéia de enviar uma mulher ao espaço. Valentina Vladimirovna Tereshkova e mais outras quatro jovens foram selecionadas para um rigoroso treinamento, que incluía horas de centrífuga, testes de isolamento, vôos no jato MIG 15, mais de 120 saltos de pára-quedas e exaustivas aulas de engenharia espacial. Assim mesmo elas não foram integradas ao corpo de cosmonautas na mesma condição que seus pares do sexo masculino. Na verdade, o primeiro vôo espacial de uma mulher só aconteceu por propaganda – e foi o líder soviético Nikita Khrushchov em pessoa quem escolheu Valentina. No dia 16 junho de 1963 ela voou na apertada cápsula Vostok 6, tornando-se ao mesmo tempo a primeira mulher e a primeira pessoa civil no espaço. Foram 48 voltas em quase três dias em órbita da Terra (mais do que a soma de todos os vôos do Projeto Mercury) .Não lhe foi permitido ter o controle manual da nave, e por pouco Valentina não ficou para sempre no espaço. É que aconteceu um erro no programa de vôo, o que levou a Vostok a se afastar da Terra a cada órbita, em vez de se aproximar. A falha só foi sanada no segundo dia pelos controladores em Moscou, e Valentina finalmente pode regressar em segurança.

Universo feminino
AS PRIMEIRAS ASTRONAUTAS NORTE-AMERICANAS foram treinadas na mesma década para um vôo na Mercury 13, que no entanto nunca aconteceu. Passariam quase 20 anos até o vôo orbital da segunda mulher. E mais uma vez ela veio da URSS. Era Svetlana Savitskaya, que subiu a bordo da Estação Espacial Salyut 7 em 19 de agosto de 1982. No ano seguinte os americanos finalmente tiveram sua pioneira. Sally Kristen Ride fez parte da tripulação do ônibus espacial Challenger em 18 de junho de 1983. Mais de uma dúzia de mulheres voariam nessas naves espaciais reutilizáveis depois de Sally. Ela mesma faria outro vôo no Challenger, em 1984, tornando-se a primeira mulher a ir ao espaço duas vezes. Nesse vôo, outro feito: a primeira vez que duas mulheres voaram juntas: Sally Ride e Kathryn Sullivan. Porém, em 1986, aconteceu o inevitável. Como a essa altura a profissão de astronauta já estava integrada ao universo feminino, Judith Resnik e Sharon McAuliffe estavam a bordo do fatídico vôo do Challenger de 28 de fevereiro de 1986, quando todos os sete tripulantes morreram. Sharon era também a primeira professora a ir ao espaço.

Para Marte e além - Em 1995, Eileen Marie Collins tornou-se a primeira mulher a pilotar um ônibus espacial. Ela mesma seria comandante quatro anos depois. A Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) recebeu sua primeira tripulante em 2001. Era a astronauta Susan Jane Helms, que permaneceu 165 dias no espaço. O primeiro profissional de ciências a residir na ISS também foi uma mulher. A bioquímica Dra. Peggy Whitson ainda teve o privilégio de passar mais de quatro horas em atividades extra-veiculares (EVA, em inglês), popularmente chamados de “passeios espaciais”, em que o tripulante trabalha do lado de fora da estação.

Linda Godwin e Daniel Tani ocupados do lado de fora do ônibus espacial Endeavour durante uma EVA em 10 de dezembro de 2001. Apesar de terem sido passados para trás em número, as mulheres russas continuaram batendo recordes. Quem mais tempo ficou em órbita foi Yelena Kondakova. Ela viveu 178 dias no espaço, boa parte dos quais a bordo da saudosa estação orbital Mir. A propósito, Valentina ainda está viva e bem de saúde. Completou 70 anos em 2007 e confessou que, se tivesse dinheiro, voaria outra vez ao espaço como turista. E aceitaria também uma viagem até Marte – ainda que fosse só de ida. Ela não irá, mas depois dela homens e mulheres vão caminhar sempre juntos – como deve ser – na mais fascinante das aventuras humanas, a conquista do espaço.

Fonte: Winkipedia