FIGURAS DE LINGUAGEM


As Figuras de Linguagem

Segundo Roberto de Oliveira Brandão, devido à complexidade das figuras de linguagens, há vários pontos de vista, com diversos postulados teóricos. Bem como são polissêmicas, pois se projetam nas diferentes áreas do conhecimento, não só na literatura.

Os Faraós, conforme Brandão, já utilizavam as figuras de linguagem para decifrar sonhos. As imagens destes sonhos eram interpretadas alegoricamente, sem consideram a arbitrariedade dos signos. Segundo Du Marsais, cada objeto pode ter um único significado, para Aristóteles, o objeto pode ter o termo que cada um de nós se serve. Assim, todo vocábulo está ligado as suas raízes no passado, e na retórica a figura de linguagem está sempre ligada ao pressuposto de que existem maneiras naturais de dizer as coisas, que são as possibilidades, uma em sentido próprio e outra em sentido figurado. No século XVIII, Fontanier não considerou a catacrese como uma figura de linguagem, pois segundo ele, o ser humano não opta por sentir e expressar emoções; ocorre de forma natural e espontânea. A retórica parte do pressuposto que as coisas com um único sentido garantem a clareza na comunicação, porque se adotar dois ou mais sentidos a mensagem corre o risco ser dúbia e não se aproveitar à informação. A retórica faz a separação entre as figuras de pensamento e as figuras de palavras, mas ambas se completam. As figuras de pensamento são classificadas como a transposição dos sentidos, meios particulares de dizer algo, sem que isso implique diretamente com os sentidos próprios das palavras. Enquanto que as figuras de palavras estão ligadas diretamente ao interior das palavras que aliada ao seu contexto faz se necessária para a comunicação. Já os metaplasmos são usados quando necessários para que haja uma comunicação clara na linguagem literária, são empregados para dar ênfase ou chamar a atenção para um vocábulo.

Brandão qualifica ainda as figuras de linguagem modernas, nas quais fenômenos naturais escusam a necessidade de ornamentação para se dizer algo. Mas há desvios existentes dentro delas: existe um eixo paradigmático que influência na construção da frase confrontando o sentido das palavras, enquanto o eixo sintagmático faz uma relação sintática da frase podendo ser percebida fonicamente. As figuras com anomalias são consideradas polissêmicas, pois, os signos podem ter outros significados dependendo de quem está vendo um objeto e como essa pessoa o chama, as palavras podem ser trocadas, mas o sentido tende a permanecer. As figuras com anomalias não são claras e objetivas, elas opõem se ao discurso para dizer algo.

Portanto, é possível estabelecer uma relação entre linguagem figurada e linguagem poética, mesmo que, existam figuras que são comuns, outras são usadas apenas pelos escritores, pois as figuras podem ser usadas para reordenar uma expressão, e dependendo do som e do léxico, as palavras podem sofrer alterações fônicas ou gráficas.