RIO DE JANEIRO COLONIAL

Tripulante de navio francês dá suas impressões sobre o Rio de Janeiro de 1748

A entrada da baía do Rio de Janeiro, formada por montanhas. Pouco antes dessa entrada, no lado direito, há um morro grande e muito elevado, em forma de pão de açúcar, ao pé do qual, caso o vento ou qualquer outra causa impeça a embarcação de atravessar o estreito que dá acesso ao porto, é possível lançar âncora. (...) Em terra, avançando um pouco em direção à cidade, encontra-se a bateria de Nossa Senhora da Glória, formada por 10 canhões de pequeno calibre. Tanto esta como uma outra bateria localizada em cima de uma quase-ilha que forma, juntamente com a Ilha das Cobras, uma espécie de rampa, são de pouca monta. (...) Vê-se, no Rio de Janeiro, uma grande quantidade de mulatos. Nesta cidade, a cada dia que passa, o sangue mistura-se mais e mais, pois o clima e a ociosidade tornam o povo fortemente inclinado à libertinagem. O desprezo pela atividade produtiva, somado à aversão generalizada ao trabalho e à busca frenética de ouro e de diamantes, lançou a cultura das terras no mais completo abandono. Nem mesmo o índigo e o cacau o país produz. (...) Os brasileiros são muito vermelhos e de pequena estatura; seus tratos são delicados e seus cabelos, negros, longos e lisos. Na maior parte das vezes, eles preferem levar uma vida selvagem no meio das florestas a se submeterem ao pesado jugo imposto pelos portugueses. Os poucos que habitam no Rio de Janeiro foram convertidos pelos jesuítas. Estes padres, que têm tido muito sucesso no trabalho de catequese, contam com um grande número de nativos nos seus colégios da costa. (...) O gado grosso é bastante comum no Rio de Janeiro, pois os padres Jesuítas se encarregam de cuidar da sua conservação e reprodução. (...) O país produz uma grande quantidade de frutas: laranjas, limões de diferentes espécies, figos, bananas, abacaxis, batatas-doces, melões d'água, pistaches, etc. Há também muitas hortaliças e legumes variados (couves, jerimuns, ervilhas, abóboras, etc).